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Brasil já tem habilidades necessárias para executar inovações em segurança pública

Por Alan Felipe

“No Brasil, hoje, nós já temos tecnologia e capacidade humana para desenvolver qualquer coisa do ponto de vista de inovação pensando em análise de segurança pública” disse o pesquisador do NEV Marcelo Nery no Seminário Inovação e Tecnologia Digital nas Cidades Brasileiras. O evento foi organizado pelo Programa USP Cidades Globais e faz parte do Circuito Urbano, iniciativa da ONU-Habitat para promover os resultados positivos da urbanização ou enfrentar desafios específicos que dela resultam.

Apesar dos recursos técnicos e profissionais, Nery alerta que há outros desafios para a implementação das inovações. Enquanto analisava as informações dos Boletins de Ocorrência presentes no Portal da Transparência, o pesquisador deparou que os dados são inconsistentes para a elaboração de novas políticas ou tecnologias. Para exemplificar, o sociólogo disse que em um dos documentos analisados havia o registro de um carro que teria sido fabricado em 2010 e roubado em 2006.

O pesquisador diz que este e outros crimes urbanos são uma das principais facetas da cidade de São Paulo e que muito disso poderia ser evitado com soluções de baixo custo. O sociólogo prossegue dizendo que o mesmo vale para os quase 60 mil homicídios dolosos por ano, ocorrendo principalmente nos centros urbanos.

O futuro no contexto desigual

A pesquisadora de pós-doutorado do Instituto de Estudos Avançados da USP, Débora Sotto, também participou do seminário e fez uma fala sobre como a desigualdade faz parte da origem da violência urbana, “que atinge principalmente o jovem da periferia que hoje tem poucas alternativas de emprego que possa trazer qualidade de vida, contribuir para o crescimento do pais e da realização do próprio ser humano”.

Nesse contexto desigual, Nery diz que “nós temos várias São Paulos dentro de São Paulo” e aponta que determinadas áreas da cidade já estão preparadas para o 5G enquanto outra parte ainda não tem acesso à internet. O sociólogo diz também que novas tecnologias devem levar em consideração essa característica e promover novas práticas: “Não adianta por exemplo eu ter uma vigilância por câmeras onde eu tenho um algoritmo que fala que certa pessoa com certa característica vestindo certa coisa com certo tom de pele é a pessoa que eu devo observar e deva agir contra ela”.

Sotto fala sobre o crescimento de prédios, muros e valorização de espaços privados para comércios, alertando como isso é o oposto da construção de uma cidade sustentável. Ela diz que o caminho é valorizar o espaço público: “a cidade cada vez mais aberta, com espaço de encontro, de convivência cidadã, de discordância cidadã. Então pensando pro Futuro de São Paulo, eu gostaria de acrescentar que eu gostaria de uma cidade com o espaço público realmente valorizado, uma cidade cada vez mais aberta”.

Além de Marcelo Nery e Débora Sotto, o seminário contou com a presença de Jamile Sabatini Marques, Tatiana Tucunduva Philippi Cortese e moderação da jornalista Roxana Ré, incluindo algumas participações virtuais, como a do coordenador Sérgio Adorno. Você pode ver o seminário na íntegra pela gravação do IEA-USP